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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Lançamento «EU CREIO»



Nas instalações do MEIBAD, com a colaboração de Torcato Lopes, que, gentilmente, anuiu, a nosso convite, presidir à sessão, dissemos algumas palavras sobre o autor e a obra, que agora aqui resumimos: «O projecto editorial Letras d’Ouro vai-se materializando na publicação regular de obras de autores cristãos evangélicos portugueses, mantendo o patamar de qualidade que se impôs, em busca da excelência. É uma enorme honra inscrever o nome do pastor Fernando Martinez no rol dos nossos autores e brindar, assim, os leitores com EU CREIO (síntese doutrinária da nossa fé), obra de grande mérito teológico e doutrinário.

Temos a firme convicção de que, por um lado, vem preencher uma lacuna no universo denominacional em que se move o autor, mas também, seguramente, preenchê-la extramuros. Por outro lado, temos a certeza de que a obra granjeará a aceitação de muitos leitores, em particular daqueles que acompanharam, desde sempre, o percurso ministerial do pastor Fernando Martinez, em particular como jornalista e escritor.
O pastor Fernando Martinez, desde 1955, dedicou-se com afinco inusitado ao estudo das Escrituras que foi partilhando com os leitores, em Portugal e noutras plagas do mundo, mercê também da publicação dos seus textos no Brasil. Da sua geração não haverá quem mais se tenha notabilizado na divulgação do Evangelho de Cristo e das doutrinas consentâneas com a expressão pentecostal, deixando desse árduo labor um inaudito legado, ainda não completo, às gerações d’hoje e às que, empenhadamente, deitarão mão do arado, munidas do conhecimento bíblico que ele tão bem ministrou, para dar continuidade à Obra de Deus.

Estudando os seus escritos, encontrarão os académicos e outros cultores da fisionomia do Movimento pentecostal o fio condutor do pensamento de Fernando Martinez agarrado à cruz de Cristo e ao seu único e insubstituível significado salvífico, a par do aprofundamento sistemático dos pilares que a Reforma erigiu, dignificou, tornando patentes as diferenças entre o cristianismo bíblico e tradição bafienta que, em Portugal, recusou, décadas a fio, dar crédito mínimo ao significado das milhares de transformações ocorridas nas pessoas que se aproximavam e aceitavam a pregação acerca de Cristo e este crucificado. A obra do pastor Fernando Martinez é vastíssima, na qual se inclui os 318 artigos editoriais que escreveu e publicou enquanto director da revista NA!

É dele a oração vertida nas páginas de Novas de Alegria sobre a «chama» que se mostrou no Pentecostes: «Concede-ma, pois, Senhor, para que arda continuamente na minha alma» (cf. Novas de Alegria, Junho de 1956); como é dele o incentivo, quando dissertava acerca do Natal: «Aconselho o leitor (…) a entregar sem restrições a sua vida, os seus problemas e os seus anseios nas mãos d’Aquele Jesus que, há dois mil anos, se manifestou na improvisada e rústica manjedoura, em Belém de Judá» (cf. Novas de Alegria, Dezembro de 1956, Natal); pertence-lhe ainda o apelo à acção evangelizadora: «O trabalho é ingente, a tarefa é árdua, o caminho espinhoso, mas a responsabilidade que pesa sobre os nossos ombros é tremenda! O grito aflitivo e desesperado do “varão da macedónia” está soando, distinta e terrivelmente, aos nossos ouvidos! Esse clamor lancinante é de milhar de milhões de almas que vivem atoladas no lodaçal do pecado, envoltas em densas trevas espirituais! Contamos, porém, que estas trevas hão-de ser dissipadas pela luz refulgente e penetrante do Evangelho!» (cf. Novas de Alegria, Setembro de 1959).

Mais de meio século após o início da sua actividade como articulista e escritor, estamos aqui nós, com a Letras d’Ouro, garantindo que o legado espiritual do pastor Fernando Martinez é de primeira água, que os valores fundamentais são os mesmos dos primórdios da sua conversão, que a fundamentação da teologia e da doutrina é da mais segura que podemos encontrar, expurgada que está das excrescências próprias do tempo, mas que não se justificam agora.

Do trabalho do autor apresentamos aos leitores, neste primeiro volume da obra, três grandes temas que, ao longo dos tempos e desde o primeiro século da Igreja, têm sido tratados pelos melhores pensadores da teologia e doutrina cristãs: Deus triuno, a Igreja e as Escrituras. Deste modo, colocamos à disposição dos que já conhecem o pensamento do pastor Fernando Martinez, por terem acompanhado o seu percurso ministerial, mas agora numa obra estruturada, agrupando trabalhos dispersos e publicados em diferentes épocas, mas também ao dispor dos mais jovens estudantes das Escrituras que, doutra forma, não acederiam a tais ensinos dispersos pelas páginas da revista Novas de Alegria.

Desde cedo se manifestou pela pureza da doutrina, envolvendo sempre os leitores nessa tarefa, desafiando-os à acção: «Avante, pois, caros irmãos! Ergamos bem alto o insigne pendão do Evangelho! Defendamos, denodada e intrepidamente, a integridade da doutrina cristã, ameaçada pelo mundanismo e modernismo!» (cf. Novas de Alegria, Novembro de 1957, Morno, Frio, Quente). Sabia nessa altura – sabe-o melhor hoje – quão importante era a agregação dos jovens à Igreja e a sua fidelização ao Senhor pois eles eram «a esperança da Igreja e o futuro do mundo.» (cf. Novas de Alegria, Abril de 1958, galeria dos Jovens). Animava, por isso, a sua formação bíblica, teológica, doutrinária através de perguntas e respostas, no âmbito dum concurso de âmbito nacional, incluindo os então territórios ultramarinos, que exigiam múltiplas e reiteradas leituras e manuseamento esclarecido das Escrituras. Tinha por estas uma paixão desmedida, querendo conhecê-las cada vez mais e melhor, ficando ciente de toda a revelação divina, o que está patente nos seus escritos até hoje. Ele foi um jovem activo, sedimentou as suas convicções e partilhou sempre o que aprendeu como resposta aos problemas espirituais e sociais de cada tempo, que tão bem identificou. Afeiçoou-se à dinâmica de crescimento imparável do Movimento pentecostal português e entendeu-a, soube atravessar as pontes que se estabeleceram com o Brasil, a Suécia, a América, a África, valorizar o que de melhor encontrou em cada um dos lados, oferecendo aos jovens e futuros obreiros a esperança de que o amanhã imediato lhes traria a confirmação de que nas Escrituras e no seu profícuo e afincado estudo encontrariam todas as respostas.

Para nós é notório que as tendências pós-modernas nos conduzem aos «pastos fáceis», aos «alimentos feitos na hora», ao Evangelho cor-de-rosa. Não queremos contrariá-las, nem é essa a nossa orientação editorial; todavia, é natural que os leitores da Bíblia, os que a querem explicada, os que ainda valorizam assuntos como o baptismo nas águas e as condições em que devem a ele submeter-se os catecúmenos, a Ceia do Senhor e as regras para nela participarem os salvos, a Igreja e a sua caracterização como noiva de Cristo, o Espírito Santo e a sua acção na contemporaneidade, os últimos dias e a revelação escatológica, e outros, seguramente tão ou mais importantes, tenham à sua disposição o que escreveram, ensinaram, pregaram homens como o pastor Fernando Martinez, que aplicou tantos anos da sua vida ao serviço do Senhor e ao estudo sempre meticuloso das Escrituras.

A resposta a tais tendências também passa pela ampla divulgação de obras que dêem aos leitores pretexto para mais afincadamente lerem a Palavra de Deus, entendendo-a na perspectiva que interessa e que está clarinha como água cristalina acabada de sair da nascente: as gerações sucedem-se mas a Palavra revelada permanece para sempre!

Saibam todos, os que ensinam e os que aprendem, que, sem convicção, não se pode dar o testemunho do autor: Eu creio. Nem sequer adoptar o modelo de acção, apresentado em acróstico, que fez seu, há cerca de cinquenta anos, declarando Eu quero, Senhor!
Revemo-nos nesse paradigma que, a encerrar esta NOTA EDITORIAL, deixamos à reflexão dos leitores de EU CREIO:

Evangelizar os que vivem nas densas trevas da superstição, do erro, da idolatria…

Usar as minhas forças, a minha inteligência e capacidade, no Teu santo serviço.

Querendo Tu, suportar com alegria, e não apenas estoicamente, o escárnio e vilipêndio dos inimigos da Cruz.

Unção, poder, dinamismo do céu, a fim de, com mais eficiência, poder anunciar «todo o conselho de Deus».

Evidenciar, a um mundo céptico e indiferente, a fé que professo, pelas obras que pratico.

Render-me, completa e incondicionalmente, a Ti, eterno, poderoso, benigno Senhor.

Olvidar os meus interesses pessoais, para me preocupar, especialmente, com os do meu semelhante (Lográ-lo-ei, num mundo saturado de egoísmo?)

Sempre, e em qualquer lugar, ser compreensivo, tolerante, respeitador, piedoso, caritativo, santo, justo e bom.

Espalhar prodigamente, desinteressadamente, o bem.

Negar-me a mim mesmo, tomar diariamente a minha cruz, e seguir-te, divino Mestre, Salvador e Senhor.

Honrar e glorificar (por pensamentos, palavras e actos) o Teu excelso e sagrado nome.

Odiar o pecado, mas amar o pecador…

Rogar, incessantemente, pelos milhões de perdidos…»

O autor, numa alocução final, relevou a necessidade da leitura como meio de formação cultural e, especialmente, de crescimento e amadurecimento espiritual.
Contámos com a presença da revista Novas de Alegria que, oportunamente, dará conta do evento aos seus milhares de leitores, muitos dos quais conhecem Fernando Martinez há várias décadas.

José Manuel Martins

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